Muitos estranharam o tom lacônico e monosilábico da entrevista coletiva de Muricy Ramalho antes do jogo contra o Ceará. Eu não estranhei, não. No futebol todos sabem que, quando a fase é ruim, quanto menos se falar melhor. Qualquer coisa dita por um técnico, jogador ou dirigente pode aumentar a crise e dificultar ainda mais o caminho da recuperação.
Percebam que, antes mesmo de ser perguntado a respeito, Muricy já foi falando que os jogadores estão correndo e se dedicando. É óbvio que ele sabe que isso não está ocorrendo e que aí reside o grande problema que levou o Santos ás três derrotas seguidas no campeonato brasileiro. Mas também é óbvio que ele jamais falaria isso em público para não expor os atletas e para não conturbar ainda mais o clima.
A grande preocupação agora é como na realidade estará o ambiente no vestiário. Sim, porque quando um time de futebol não ganha, seja ele qual for, a primeira consequência é a deterioração do ambiente do vestiário. Nessas situações são comuns brigas e trocas de acusações. É aí que o técnico tem que atuar, sem medo de atingir ninguém. Muricy tem moral para isso e sabe como fazê-lo, mas também tem um Mundial pela frente e tem a missão de preservar seu relacionamento com os jogadores até a competição do final do ano.
Se uma boa vitória vier contra o Ceará é possível que tudo se acalme. Mas se acontecer um novo vexame as consequências são imprevisíveis.
José Calil
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